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Mozart Pereira Soares Adeus ao
Mestre
Alcy Cheuiche
Na terra vermelha de Palmeira das Missões nasceu um dos homens
mais preciosos que o Brasil possuía. E nela repousa agora, depois de
encantar a terra em noventa e um anos de vida. O conhecimento
individual, na era das especializações, é cada vez mais limitado.
Vai longe o tempo em que um único ser humano era depositário de
extensões imensas de sabedoria. Temos que recuar mais de dois
milênios para encontrar o modelo de Mozart Pereira Soares.
Aristóteles, que foi capaz de entender o funcionamento do organismo
humano, dos animais e das plantas, e de especular sobre a origem e o
destino de todos os seres vivos, despertou naquele jovem estudante
de Medicina Veterinária a ânsia do conhecimento universal. E quando,
no ano de 1954, defendeu sua tese de Doutorado na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, parece que defendia também o direito
de recuar no tempo para enxergar mais longe e melhor. Concepções
Anatômicas e Fisiológicas de Aristóteles recebeu nota máxima da
banca examinadora e revelou ao meio acadêmico brasileiro uma nova
estrela das ciências médicas. Antes disso, como conta em sua
trilogia A Restauração da Manhã, composta dos livros de memórias
Pastoral Missio- neira, Tempo de Piá e Meu Verde Morro, o menino
Mozart teve que vencer a pobreza, que Saint-Exupéry considerava o
maior de todos os obstáculos para o sucesso humano. Descrita por ele
mesmo em palavras simples: Ainda vim a conhecer o galpão velho em
que nasci, mal arrimado em seis esteios cambembes, rodeado de
costaneiras de pinho, cheio de frinchas por onde o vento miava. Na
névoa dessas lembranças surge o meu pai, que eu via de bigode ruivo,
carão vermelho e peito suado, trabalhando, criando as coisas que se
espalhavam à roda de nós, sobre a terra. A mesma terra vermelha que
está amontoada ao lado do buraco cavado à pá, onde pediu para ser
colocado o seu corpo sem vida. No lugar onde nasceu, no dia 29 de
março de 1915, vai repousar o Mestre que nos deixou no dia 11 de
dezembro de 2006. Plantado no campo como uma das muitas árvores que
cultivou. No meio ambiente despido de poluição que conservou como
ecologista, um dos pioneiros dessa militância ao lado de José
Lutzenberger. Próximo a uma escola agrícola, outra de suas paixões,
o túmulo será vizinho do pinheiro de trezentos anos, que ele
apresentava com orgulho aos visitantes, e da casa que foi seu
refúgio, onde será construída uma biblioteca para abrigar os
milhares de livros que ele leu e guardou. Um túmulo pastoral, digno
de um sábio. Onde cada manhã será res- taurada pelo perfume da brisa
e o canto dos sabiás. Mozart Pereira Soares, que aprendeu a ler nos
jornais que vendia nas ruas de Palmeira das Missões, tem hoje na
cidade missioneira um magnífico Centro Cultural com o seu nome.
Cientista e artista conhecido e admirado em todo o país, nos deixa
duas cadeiras vagas: uma na Academia Brasileira de Medicina
Veterinária, com sede no Rio de Janeiro, e outra na Academia
Rio-Grandense de Letras, em Porto Alegre. Na Universidade Federal do
Rio Grande do Sul conquistou dois diplomas de graduação: o de
Médico-Veterinário, em 1943, e o de Advogado, em 1986, aos 71 anos
de idade. Nesse meio tempo, como Professor Catedrático de Anatomia e
Fisiologia dos Animais Domésticos, deixou sua marca em milhares de
alunos, foi Diretor da Faculdade de Agronomia e Veterinária, Membro
do Conselho Universitário e Reitor pro tempore da mesma Universidade
que o iria destacar, em 1999 com o título de Professor Emérito. Na
Universidade de Santa Maria, indicado pelo Prêmio Nobel Bernardo
Houssay, de quem tinha sido aluno em Buenos Aires, foi o primeiro
Professor de Fisiologia da Faculdade de Medicina, uma façanha digna
de um veterinário de notório saber. Saber idêntico iluminava o homem
de letras, detentor de muitas distinções literárias, como a Medalha
Simões Lopes Neto, escritor que conhecia a fundo e sobre o qual nos
deixou um ensaio magnífico: Aspectos sensoriais em Lendas do Sul.
Erico Verissimo, que nasceu na cidade vizinha de Cruz Alta, escolheu
Mozart Pereira Soares para prefaciar a mais famosa de suas obras, O
Tempo e o Vento. Ivan Lins elogiou seus livros em prosa e verso, o
identificando como possuidor de uma daquelas almas sonoras, a que se
referia Eça de Queiroz, nas quais vibra, em resumo, toda a vida que
as cerca. O livro/poema que escreveu sobre o Papa João XXIII, Adaga
Flor, é obra de referência ética e estética. Erva Cancheada revelou
ao Rio Grande do Sul e ao Brasil o belo folclore dos ervateiros, dos
artífices do chimarrão. E para quem quiser conhecer um esboço
abrangente de toda a obra escrita do nosso Mestre, recomendo o livro
de Antonio Hohlfeldt, Saber Universitário com Gosto Campeiro que
tive a honra de prefaciar na primavera de 1997: De tanto ver
triunfarem as nulidades, como dizia Ruy, muitos até duvidam que
existam ainda hoje seres humanos enciclopédicos como Mozart Pereira
Soares. Intelectuais famintos de saber que conheçam e dissertem com
a mesma profundidade sobre a história dos homens, a vida dos
animais, o cultivo das plantas, a idade das pedras e a pureza das
águas. Aqui perto deste túmulo campeiro, junto ao qual acabo de
dizer algumas palavras de despedida, está aquela nascente onde
Mozart bebia com as mãos em concha, desde a mais remota infância. Um
lugar mágico onde ele levou a esposa Terezinha Beltrão Soares, seu
primeiro e único amor, a beber com ele em muitos e muitos anos de
vida, e onde chorou sua morte em janeiro de 2004. O olho d’água que
é o ponto de partida, como dizia Emil Ludwig, dos seres humanos e
dos rios. Algumas dessas nascentes somem debaixo da terra depois de
alguns poucos passos, outras se transformam apenas em poços ou
pequenas lagoas. Raras são as que formam rios capazes de chegarem ao
oceano. Como esta de Mozart Pereira Soares, um ser humano que
atingiu as maiores profundidades sem deixar de ser sempre límpido e
cristalino. Um cérebro poderoso a serviço do bem.
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Alcy
Cheuiche com Olímpus, seu cavalo Andaluz. |
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Alcy Cheuiche é o eleito
MÁRCIO PINHEIRO - ZERO HORA
Foto: Mauro Vieira
Um
freqüentador da Praça da Alfândega, num estado visivelmente
alterado, aborda o homem cercado por câmeras de TV e fotógrafos e
diz: - Se me der dinheiro, eu voto no senhor. - Não precisa, já
estou eleito.
Foi esse o primeiro contato que o escritor Alcy Cheuiche teve com
parte do público com quem ele vai conviver durante os 15 dias da
realização da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre. Poucos minutos
antes, em um café no Margs, Cheuiche havia sido anunciado como
patrono do evento, que começa no próximo dia 27 de outubro.
Experiência no cargo ele tem. Foi patrono de feiras do livro de
muitas escolas em todo Rio Grande do Sul e das cidades de Alegrete,
Caçapava do Sul, Gramado, Gravataí e São Sepé.
- Na Feira do Livro de Porto Alegre, concorri cinco vezes e fico
feliz em ser homenageado no ano em que se comemora o centenário de
Mario Quintana, um dos grandes incentivadores que tive - disse
Cheuiche.
O autor também aproveitou a ocasião para recordar sua relação com a
Feira, local onde autografou seu primeiro livro, O Gato e a
Revolução, em outubro de 1967.
- Era uma outra Feira do Livro, com uma dimensão bem menor. O
desafio agora é expandir o evento mas não deixar que ele perca suas
características de uma festa ao ar livre.
Gaúcho de Pelotas - embora considere Alegrete como sua cidade natal
-, Alcy José de Vargas Cheuiche nasceu em julho de 1940. Formado em
veterinária, começou a escrever contos e poesias na metade dos anos
60, antes de viajar para a Europa, onde fez cursos de pós-graduação
na França e na Alemanha.
- Morei em São Paulo, na Europa, mas sempre me considerei um homem
do campo. Minhas referências culturais são todas de lá.
E foi no romance histórico que Cheuiche encontrou seu caminho na
literatura, com livros como Sepé Tiaraju: Romance dos Sete Povos das
Missões (traduzido para o espanhol e para o alemão e também editado
em quadrinhos no Brasil) e Ana Sem Terra (com oito edições no Brasil
e uma na Alemanha, onde foi escolhido para representar o Brasil na
Feira do Livro de Frankfurt de 1994).
Além dessas obras, merecem destaque na bibliografia de Cheuiche as
novelas Lord Baccarat, A Mulher do Espelho e Nos Céus de Paris -
Romance da Vida de Santos Dumont, uma biografia do Pai da Aviação.
Seu trabalho mais recente, lançado em 2003, é Jabal Lubnàn - As
Aventuras de um Mascate Libanês, romance que narra a trajetória de
seu avô.
Morador do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e casado com
Maria Berenice Gervásio Cheuiche, o novo patrono conseguiu conciliar
a paixão pela escrita e pela veterinária dividindo com a mulher a
direção da revista A Hora Veterinária, publicação especializada que
existe há 25 anos.
Ontem, enquanto caminhava pela praça, conversava com ex-patronos -
Frei Rovílio e Walter Galvani foram lá para abraçá-lo - dava
entrevistas e posava para as fotos, Cheuiche já fazia planos.
- Minha intenção é transformar a emoção em ação. Pretendo me
envolver muito com todas as atividades da Feira do Livro. |
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Alcy Cheuiche é o
novo patrono da Feira do Livro
Assessoria de imprensa da Feira
do livro
Foto: Luiz Ventura
―
Bem-vindo, Alcy Cheuiche!
Com
essas palavras, o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL),
Waldir da Silveira, anunciou o novo patrono da Feira do Livro de Porto
Alegre, que chega a sua 52ª edição neste 2006. O anúncio foi feito
durante um café da manhã no Bistrô do Margs, que reuniu jornalistas e
outros autores que concorriam ao posto. Airton Ortiz, Carlos Urbim,
Fabrício Carpinejar, Jane Tuitikian estiveram presentes e Charles Kiefer,
Juremir Machado da Silva, Luiz de Miranda, Luís Augusto Fischer e
Neltair Abreu (Santiago) não puderam comparecer.
Cheuiche agradeceu aos outros patronáveis pela modéstia de haverem se
deixado candidatar, explicando que há sempre um acima de todos os
homenageados: a Feira do Livro. O autor manifestou seu contentamento em
poder desempenhar o papel de anfitrião da Feira no ano do centenário de
um querido amigo seu, Mario Quintana.
―
A emoção tem que ser transformada em ação ― afirmou o novo patrono,
destacando a importância de uma luta efetiva pela difusão do amor à
leitura. Para ele, a Feira do Livro de Porto Alegre contribui para isso
e é um modelo a ser seguido pelo Brasil afora. O caráter popular de ter
os livros expostos em praça pública, acessíveis aos freqüentadores, é,
segundo Cheuiche, uma característica de valor inestimável que nossa
Feira não pode perder.
O
novo patrono ressaltou ainda a importância de estimular crianças e
jovens a ter contato com os livros, e agradeceu aos professores que
incentivam junto a seus alunos a leitura de autores gaúchos. Terminou
com um pedido-lembrete à imprensa:
― A Feira está muito mais cultural hoje do que há 20 anos. Procurem dar
atenção especial às palestras, conferências e debates que estão
programados para acontecer no período da Feira, e não apenas aos
lançamentos de livros.
Sobre
Alcy Cheuiche
Depois de ter sido patrono de Feiras do Livro das
cidades de Alegrete, Caçapava do Sul, Gramado, Gravataí e São Sepé,
Alcy José de Vargas Cheuiche é agora o patrono da maior feira de
livros a céu aberto da América Latina: a Feira do Livro de Porto Alegre.
Gaúcho de Pelotas, Cheuiche nasceu a 21 de julho de 1940. Aos quatro
anos de idade, mudou-se com a família para Alegrete, que considera sua
terra adotiva. Foi lá que aprendeu a ler, escrever e amar a vida no
campo. O interesse pela literatura foi despertado pelo pai, um grande
contador de histórias, e pelas aventuras no Sítio do Pica-pau Amarelo
narradas por Monteiro Lobato.
Durante a Faculdade de Agronomia e Veterinária, que
cursou na UFRGS, em Porto Alegre, Alcy já colaborava em jornais
universitários com artigos, contos e poesias. Em 1966, enquanto fazia um
estágio em Veterinária na Alemanha, escreveu seu primeiro livro de
prosa, O gato e a revolução. Em outubro de 1967, o livro era
lançado na Feira do Livro de Porto Alegre. Mario Quintana, seu
“conterrâneo” do Alegrete, recebeu o primeiro autógrafo.
A produção de Cheuiche não parou de crescer desde então. Em
1978, a Sulina publicou Sepé Tiaraju: romance dos Sete Povos das
Missões. O livro foi considerado o melhor do ano pela Faculdade de
Letras de Santa Rosa e traduzido para o espanhol e para o alemão, além
de editado em quadrinhos no Brasil. A primeira edição em espanhol
esgotou-se em cinco meses.
É unânime a opinião da crítica de que foi no romance
histórico que Cheuiche encontrou seu caminho na literatura brasileira.
Em Ana sem terra, (oito edições no Brasil e uma na Alemanha), o
autor uniu seu talento de romancista com uma corajosa pesquisa histórica
sobre a reforma agrária. Na Alemanha, o livro foi um dos escolhidos para
representar o Brasil na Feira do Livro de Frankfurt de 1994, tendo
recebido calorosa acolhida da crítica especializada. A revista Die
welt, na edição de outubro de 1994, destacou: “Escrito em estilo
vivo e cativante, o romance de Alcy Cheuiche é uma descoberta para
aqueles que procuram uma entrada literária para o maior país da América
Latina”.
Entre os livros mais conhecidos do novo patrono da Feira
estão também as novelas Lord Baccarat e A mulher do
espelho. A primeira trata do problema das drogas no Brasil,
abordando a figura do traficante que freqüenta a alta sociedade e
procura fazer carreira política. Foi o terceiro livro de ficção mais
vendido da Feira do Livro de Porto Alegre de 1993. A
mulher no espelho
recorda a saga dos “dezoito do forte de Copacabana”, oferecendo ao
leitor uma narrativa em que História e Espiritismo mesclam-se numa trama
envolvente.
Alcy Cheuiche ganhou o prêmio literário Ilha de Laytano
com o romance histórico A Guerra dos Farrapos. O livro de
crônicas Na garupa de Chronos, publicado em novembro de 2000,
ganhou o Prêmio Açorianos 2001. Em 1998, o autor recebeu dois prêmios
literários pelo livro Nos céus de Paris - Romance da vida de Santos
Dumont: troféu da RBS como o melhor romance lançado na Feira
do Livro de Porto Alegre e troféu Laçador, como o melhor livro publicado
no sul do Brasil em 1998. Em 2002, pelo conjunto da obra, recebeu do
Governo do Estado do Rio Grande do Sul a Medalha Simões Lopes Neto.
Cheuiche é membro vitalício da Academia Rio-grandense de
Letras e sócio fundador da Associação Gaúcha de Escritores.
Na comunicação científica, divide com a esposa, Maria Berenice
Gervasio Cheuiche, o cargo de direção da revista A hora veterinária,
editada em convênio cultural com a França há 25 anos.
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Alcy Cheuiche recebe homenagem na
Feira do Livro de Bagé
O SESC, juntamente com Secretaria de Cultura e a Faculdade de
Comunicação da URCAMP, concederam o título de "Incentivo à
Literatura" durante a Feira do Livro de Bagé.
Com dois livros de contos e um romance histórico, a Oficina de
Criação Literária Alcy Cheuiche formou nos anos de 2002 e 2003 com a
colaboração da Faculdade de Comunicação da URCAMP duas turmas de
contistas.
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Lançamento do Livro "Seis contistas de
Bagé"
Dia 13, terça-feira,
às 20 horas, no Clube Comercial de Bagé, Lançamento do livro
"SEIS CONTISTAS DE BAGÉ"
"SEIS CONTISTAS DE BAGÉ" nos revela seis novos escritores,
malhados na Oficina de Criação Literária Alcy Cheuiche. Leitura
leve e ao mesmo tempo reflexiva. São 24 contos. Dezoito de ficção
que retratam nosso modo de ser meridional urbano e pampeano. Seis de
cunho histórico onde Bagé, por ser ponto estratégico e fronteira,
se relaciona com o Brasil e o mundo. Oitenta e oito páginas de humor,
história, fatos do cotidiano e assombração.
AUTORES: Cláudio Falcão, Fabiana Gonçalves,
Rafaela Gonçalves Ribas, Sarita Barros, Sonia Alcalde e Yara Mª
Botelho Vieira
A Liga Feminina de Combate ao Câncer foi a entidade
escolhida para ser beneficiada no dia do lançamento.
Link:http://www.graficametropole.com.br/livraria/catalogo.asp
Alcy Cheuiche na Bienal de São Paulo
O escritor Alcy Cheuiche estará autografando o livro
"Jabal Lubnàn - As aventuras de um mascate libanês" na
Bienal de São Paulo, nesta segunda feira dia 19 de abril às 19 horas.
Cultura: Quando se volta o olhar às etnias imigrantes
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Hoje (11/11/2003), a partir das 18h, o romancista Alcy Cheuiche lança
em Pelotas seu último trabalho, Jabal Lubnàn: As aventuras de um
mascate libanês. A obra reúne a mesma técnica do romance histórico
utilizada por Cheuiche em publicações anteriores. Nas 176 páginas de
Jabal... o leitor encontrará as histórias e fábulas da cultura
rio-grandense.
Mas não é só isso. "Utilizei vários arquivos de família",
diz o pelotense naturalizado caçapavano, em entrevista por telefone ao
Diário Popular. A obra, segundo o autor, é uma leitura dinâmica, pois
reúne as aventuras de um mascate (vendedor) durante a Revolução
Federalista. "É, sobretudo, uma forma de desmitificar a visão que
muitos ostentam sobre os povos imigrantes no Estado", ressalta
Cheuiche.
"O imigrante alemão não é, pelo fato de ser de origem germânica,
necessariamente nazista", explica ele o enfoque da obra.
"Libaneses, portanto, não são, pelo fato de serem descendentes de
árabes, seguidores de Saddam Hussein." Os mascates, acrescenta o
romancista, também estão valorizados na obra. "Eles faziam as
vezes de correio durante a Revolução."
Alcy Cheuiche lança, ainda, outras duas publicações. Estórias e
Lendas de Caçapava do Sul e Estórias e Lendas de Bagé. Ambos são
fruto de oficinas literárias realizadas por Cheuiche com alunos da
Universidade da Região da Campanha (Urcamp). "A forma clássica da
oficina literária é oriunda da Inglaterra e da França. Nos dois
casos, optei por um método adaptado à região", diz.
Cada um dos alunos escreveu três contos, que estão presentes nas
publicações. "A leitura é atraente pelos relatos folclóricos,
abundantes nas regiões de Caçapava do Sul e Bagé." As obras
buscam, sobretudo, valorizar os talentos que, muitas vezes, estão fora
do círculo que "dá as cartas": a capital. "As publicações
mostram que existem talentos ainda por serem descobertos no interior do
Rio Grande do Sul."
E idade, para a criação literária, não é problema.
"Participaram das oficinas alunos de 16 a 70 anos", comenta
Cheuiche. Para ele, a idade não é determinante: o que vale a pena é a
vontade de escrever. E o olhar regional dos novos contistas está
impresso em cada uma das páginas que Alcy lança hoje na 31ª Feira do
Livro de Pelotas.
NA BIBLIOTHECA
Logo após o lançamento das obras na Feira, Alcy Cheuiche, acompanhado
por Jorge Moraes e Mario Osorio Magalhães conversa sobre produção
literária. Será no Salão Nobre da Bibliotheca, às 19h30min, com
entrada franca. Vai lá.
Marcus André Bugs - Diário Popular de Pelotas - on-line
Alcy
Cheuiche é o patrono da 7ª Feira do Livro O
escritor alegretense Alcy Cheuiche é o patrono da 7ª Feira do Livro
de Gramado, que está sendo realizada entre 27 de junho e 13 de julho de 2003. Cheuiche foi
escolha unânime da comissão organizadora do evento, que levou em conta
a popularidade do autor e de suas obras junto aos estudantes de Gramado.
O carisma do escritor se explica pela sua participação no Projeto
Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro, durante a Feira do Livro
de 2002. “Cheuiche foi muito atencioso e receptivo, por isso seu nome
foi lembrado para patrono desta edição”, diz a secretária de Educação
e Cultura, Vera Pante.
Para o escritor, ser patrono da Feira do Livro de Gramado é uma grande
honra. “Buscarei valorizar ao máximo o evento”, diz o autor.
Seção de autógrafos
Cheuiche lançou a 2ª edição do livro “Na garupa de Chronos” na 7ª
Feira do Livro de Gramado. Vencedor do “Prêmio Açorianos 2001”, a
obra é composta por uma seleção de crônicas que veicularam nos
principais jornais do Rio Grande do Sul, de 1980 a 2000. Participaram
também os alunos da “Oficina de Criação Literária Alcy Cheuiche”,
de Bagé com o livro “Estórias e Lendas de Bagé”, de autoria de
Ana Maria Delabary, Ana Maria Feltrin, Angelina F. Quintana, Bruno
Delabary, Cristiane Betemps, Elizabeth Fagundes, José Brito e Orlando
Brasil; Caçapava do Sul com “Estórias e Lendas de Caçapava do
Sul” de autoria de Cristina Oliveira, Eneida Marques, Carlos Cassel,
Lucas Zamberlan, Luiz Hugo Burin e Remaldo Cassol.
A seção de autógrafos foi realizada no sábado dia 28/06, na rua
coberta onde a feira está montada. Muitas pessoas prestigiaram o
evento, entre eles o Prefeito de Gramado Pedro Beltolucci, os escritores
Luiz Antônio de Assis Brasil e Valeska de Assis, o radialista e escritor Walter Galvani,
entre outros amigos.
Serra acima
O escritor alegretense Alcy Cheuiche será o patrono
da 7ª Feira do Livro de Gramado, que vai se realizar entre 27 de
junho e 13 de julho. Cheuiche foi escolha unânime da comissão
organizadora do evento, que levou em conta a popularidade do autor. O
sucesso do escritor em Gramado tem origem na sua participação na Feria
do Livro de 2002, quando esteve em diversas escola da cidade. Jornal
Zero Hora, Segundo Caderno, Contracapa, página 12, terça-feira, de 8
de abril de 2003.
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CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2002
IEL lança tributo a Alcy Cheuiche
O Instituto Estadual do Livro (André Puente, 318) lança hoje, às 19h,
o oitavo fascículo da coleção 'Autores Gaúchos - Nova Série',
dedicado a Alcy Cheuiche.
Na obra, a trajetória do autor é recuperada através da literatura
produzida ao longo dos anos, e revelada a partir de entrevistas feitas
por Walter Galvani, Ivette Brandalise e Tânia Carvalho. Entre os títulos
de destaque em sua produção, estão 'A Guerra dos Farrapos', 'Lord
Baccarat' e 'Ana Sem Terra'.
Nascido em 1940, Cheuiche formou-se em Agronomia e Veterinária pela
Ufrgs em 1962. Em 1985, recebeu o prêmio literário Ilha de Laytano com
'A Guerra dos Farrapos', e, em 1998, duas premiações por 'Nos Céus de
Paris'. Já em 2001, 'Na Garupa de Chronos' arrebatou o Prêmio Açorianos
2001. Com livros traduzidos na Alemanha e no Uruguai, o autor é ainda
poeta e intérprete de poesia. Em setembro último, foi condecorado pelo
governo do Estado com a Medalha Simões Lopes Neto, concedida a
personalidades de destaque por suas atuações nos campos da Cultura,
Arte, Letras, Educação e Magistério.
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